Conhecendo os integrantes da Fumaça - SO J. Loureiro

O que o motivou para o ingresso na Força Aérea Brasileira?

 

Cresci vendo os helicópteros da Força Aérea em Santos e isso me fascinava, queria poder trabalhar naquela área. Além disso, um tio radiotelegrafista da antiga Empresa Aérea Cruzeiro sempre me levava para ver os aviões. Tudo isso só me fez querer, cada vez mais, trabalhar na área da aviação.

 

Como foi o seu primeiro ingresso no Esquadrão de Demonstração Aérea?

 

Após a reativação do EDA, com a chegada das aeronaves Tucano, a Academia da Força Aérea emprestou temporariamente 16 graduados para que trabalhassem no Esquadrão. Nesta mesma época, foram abertas quatro vagas no Esquadrão para militares recém formados na Escola de Especialistas de Aeronáutica e eu estava nesse grupo. Logo após, os 16 graduados da Academia foram definitivamente efetivados e a Tabela de Lotação de Pessoal fechou em 20 integrantes. Naquela época ainda não havia o conselho para ingresso. Hoje, o militar precisa ter, no mínimo, três anos de trabalho na AFA para então incluir o nome como voluntário na Esquadrilha da Fumaça.

 

 

Autor: Herbert Fabiano

 

 

E como se deu a primeira despedida da Esquadrilha da Fumaça?

 

Ao atingir o limite de seis anos de Esquadrilha, o militar deveria colocar o nome para transferência e por isso segui para Santos. Lá, voei UH-50 Esquilo como mecânico operacional a completei 340:00 horas de voo.

 

Era permitido colocar o nome novamente para ingresso no EDA?

 

A princípio, não poderia colocar o nome novamente, mas vim transferido para a AFA e trabalhei como encarregado, voando helicóptero. Um fato interessante de se comentar é que, na época, eu era encarregado do então Terceiro Sargento Tonisso, hoje Capitão Tonisso, Chefe da Seção de Material do EDA.

Qual não foi a minha surpresa quando o então Comandante do Esquadrão, na época Tenente Coronel Faria, autorizou o ingresso de militares que já haviam feito parte da equipe e eu, assim como o Sargento Lisardo, fomos agraciados com a oportunidade de, mais uma vez, fazer parte da família fumaceira.

 

Qual a sua atual função? E como surgiu a idéia dos vídeos em voo?

Trabalho na área de célula e cuido dos aparelhos de ar-condicionado das aeronaves. De uns anos para cá os pedidos de imagens aumentaram e fui convidado para auxiliar nos trabalhos dessa área. Na época, era mais difícil fazer as instalações, pois tínhamos que abrir vários compartimentos do avião para passar a fiação que era, em alguns pontos, presa com fita silver tape. Chegamos a fazer uma estrutura de alumínio na cauda do avião com fiação até a cabine para que o fotógrafo pudesse tirar as fotos de dentro da aeronave.

Só para se ter uma idéia do trabalho, durante a missão até Dayton – EUA, em 2007, a fiação dos equipamentos foi colocada dentro das carenagens dos aviões antes da própria missão.

 

Algum fato ocorrido na Fumaça foi marcante para você?

Toda vez que se fala de Fumaça me recordo do Tucano voando em Abbotsford – Canadá, em uma formação de 5 aeronaves de diferentes esquadrões de demonstração diferentes sendo eles: Patrouille de France, Frecce Tricolore, Blue Angels, Snowbirds e Esquadrilha da Fumaça.


O que você diria para quem pretende ingressar na FAB?

Que vale a pena se a pessoa estiver convicta de que é isso o que ela quer. Tenho um sobrinho que fez quatro concursos e meu filho fez três para o ingresso na FAB. Eles não desistiram e hoje estão seguindo seus caminhos. Meu filho até já me disse que quer ser fumaceiro e inclusive faz parte do Clube de Voo Virtual na Escola Preparatória de Cadetes do AR (EPCAR), onde voa como número quatro da formação.

 

 

 

 

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